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Desarquitetura da Loucura


Na visão de Vanessa Homara




A reforma psiquiátrica no Brasil, iniciada no final dos anos 1970, visava superar a violência asilar e zelar pelos direitos dos pacientes. Toda articulação social e política, mudanças na legislação e posturas em relação à saúde mental, culminou na criação da REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL, A RAPS - QUE CONTÉM OS CAPS, OS CECCOS, A ATENÇÃO BÁSICA, ETC e foi contemporânea ao movimento da Luta antimanicomial, iniciado por Nise da Silveira pioneira na humanização do tratamento e desmistificação da “loucura” na sociedade, buscando combater a psicofobia e criar espaços para dialogar sobre o sofrimento psíquico e a utilização da arte no processo de cura.


Quando o indivíduo, seja por uma razão endógena (genética, hormonal etc.) ou exógena, (trauma, abuso de substâncias psicotrópicas, choque emocional etc.) sofre uma pane psicológica, surto ou desequilíbrio emocional que compromete suas relações afetivas, familiares, e prejudica-o no âmbito laboral, é hora de consultar um psiquiatra.


Este profissional, através da análise comportamental, traçará uma hipótese diagnóstica que se confirmará ao longo do tratamento, utilizara medicação para tratar os sintomas e amenizar o sofrimento psíquico e mediará as relações familiares, que provavelmente estarão bagunças e confusas neste momento.


A psicoterapia será de grande valia para o acompanhamento no médio e longo prazo e aí abre-se uma gama de abordagens possíveis que vão de Freud, Melaine Klein, Young, Dolto e Winnicot até as terapias cognitivas e existencialistas.


Buscando o equilíbrio – Corpore sano mens sana- a atividade física ajudará na melhora global do paciente, assim como a livre expressão de seus pensamentos, sentimentos e emoções, sejam elas positivas ou negativas.


A arte/terapia pode ajudar no processo de cura e na reestruturação do self– e sabemos que a arte não é um luxo e sim uma necessidade –e este indivíduo cujo self (ou seu eu) e tudo que compreende sua individualidade e subjetividade – está absolutamente (bagunçado fragmentado) – durante o processo de criação da sua arte, seja ela um texto, pintura, fotografia ou escultura, ajuda a ressignificar fatos, coisas e momentos – que o levaram a quebra psicológica – num espaço tempo reformulando e auxiliando-o a remontar o complexo quebra-cabeças da sua existência, e colocando-o integro e pleno, de volta ao jogo da vida!


Nosso coletivo inclusivo – Envolvidamente – experimentar e transformar, Capitaneado pela psiquiatra Hybrida – Dra. Júlia Katunda- busca disseminar o conceito de desarquitetura da loucura, pois numa sociedade de consumo, onde o ter sobrepõe-se ao ser, o amor nos tempos do capitalismo subjuga os afetos em contratos e a internet aproxima quem está longe e distancia quem está perto, produzindo o que Bauman chama de modernidade líquida, onde tudo se desfaz antes de se fazer completamente, a contemporaneidade pede uma sociedade mais flexível, colaborativa e inclusiva e a ressignificação do que é aceito como normal, pois o segundo Deleuze o que cada indivíduo tem de apaixonante são exatamente seus traços de loucura.

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